CAZUZA – O TEMPO NÃO PARA
[Minha leitura sobre a Letra da Música]
“O país estava um caos. A Emenda Dante de Oliveira – Diretas Já foi rejeitada”
I – INTRODUÇÃO
Para que possamos compreender a letra da música O Tempo Não Para, produzida pelos brasileiros Cazuza e Arnaldo Brandão, juntamente com o americano Howard Ashman, precisamos nos situar no período histórico brasileiro. Ela foi composta na década de 80, mais precisamente em 1988, durante o governo de José Sarney (15/03/1985 a 15/03/1990), o primeiro presidente eleito após o golpe de 64 que não era militar. José Sarney assumiu a presidência, mas Tancredo Neves foi de fato o candidato eleito por voto indireto. Infelizmente, antes que assumisse o cargo, veio a falecer. O país estava um caos. A Emenda Dante de Oliveira - Diretas Já, que rezava a reinstauração das eleições diretas no Brasil foi rejeitada. Segundo o Ibope, 84% da população do Brasil era favorável às eleições diretas.
Quando Sarney tomou posse em 1985, a inflação anual era de 242,24% e quando terminou seu mandato, a inflação galopante era de 1972,91%/ano. Em sua gestão (1988) foi criada a atual Constituição Federal do Brasil, estabelecido o voto direto e a permissão de analfabetos serem eleitores.
II – ANÁLISE DA MÚSICA O TEMPO NÃO PARA
Foi composta em época de transição da ditadura militar para a democracia brasileira. Na primeira estrofe os autores fazem uma crítica ao preconceito da época. Cazuza viveu sua vida “disparando contra o sol”, ou seja, tem como disparar contra o sol? É o que hoje chamamos de “chover no molhado”. Entendo que aqui exista um desabafo do cantor que estava magoado, cansado dos muros encontrados. Mas apesar de tudo, ainda continuava forte.
Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Podemos dizer que na segunda estrofe ele fazia uma alusão à sua doença, mas tinha esperança de cura. Ou seja, não queria piedade de ninguém, exceto dele mesmo. Que provaria, com o passar do tempo que ele tinha razão, que preconceitos seriam quebrados. E realmente provou. Hoje podemos dizer que ainda existe, mas numa escala bem menor. No futuro, as crianças de hoje não terão este comportamento. Que nada como o tempo para provar.
Mas se você achar
Que eu to derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Com relação à terceira estrofe, me lembra a vida de Cazuza, ou seja, ele era um gênio da música que era admirado, porém detestado por suas escolhas pessoais.
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
Já na quarta, é feita uma alusão aos políticos corruptos e pessoas hipócritas, que acusam, mas se corrompem em sua vida de luxo. O futuro mostrará quem tem razão.
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Quinta estrofe ele entende que tudo está se repetindo ainda, mas que mudará, pois o futuro virá.
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para não, não para
Na sexta estrofe ele mostra seu tédio, sua desilusão, sua angústia, sua rotina tentando se adequar ao mundo.
Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Em relação a sétima, ele faz uma analogia entre a alegria e tristeza. E as compara ao povo brasileiro, que de modo geral também vivem nesta situação. Faz crítica a quem o condena e finalmente fala sobre a podridão política para ganhar mais dinheiro.
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe, é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam um país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
As demais estrofes são repetidas.
III – CONCLUSÃO
“Ela é tão complexa, tão cheia de sentimentos, que é impossível não se sensibilizar.”
Com certeza esta letra é magnífica. Ela é tão complexa, tão cheia de sentimentos, que é impossível não se sensibilizar. Assim como não é possível desvinculá-la do momento histórico em que foi composta.
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